segunda-feira, fevereiro 25

Orixás: Conhecendo Ibeji e seus filhos

Ìbejì ou Ìgbejì é divindade gêmea da vida, protetor dos gêmeos =na Mitologia Yoruba. Dá-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho. São representados por dois bonecos Gémeos ou duas Cabacinhas Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos da comunidade Africana costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em sua honra. O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, comum nas florestas da África subsariana. A espécie é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. LENDA DOS MACACOS COLOMBO "Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses. A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em Yorùbá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar." Na África , as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza. A palavra Igbeji que dizer gêmeos. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coo-existem, respeitando o princípio básico da dualidade. Ibegi é alegre, otimista, brincalhão, esperto, trabalhador, imaturo, birrento e voraz.Ajuda a resolver problemas de crianças, dá harmonia na família, facilita uniões Ibeji é o espirito das brincadeiras, da alegria; sua regência está ligada à infância. Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa. LENDA DOS IGBEGIS Contam os Itãs (conjunto de lendas e histórias passados de geração a geração pelos povos africanos), que os Igbejis são filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos. Doravante, os Igbejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa rios e cachoeiras , também recebem oferendas. Entre as divindades africanas, Igbeji é o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Igbeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos. Na África, O Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no dia-a-dia. Igbeji não exige grandes coisas, seus pedidos são sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser lembrado e cultuado.O poder de Igbeji jamais podem ser negado, pois o que um orixá faz Igbeji pode desfazer, mas o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se consideram os donos da verdade. Os gêmeos (Ibeji entre os Yorubas e Hoho entre os Fon) são objeto de culto. Esses Orixás e têm um lado extraordinário desses duplos nascimentos é uma prova viva do princípio da dualidade e confirma que existe neles uma parcela do sobrenatural. Recomenda-se tratar os gêmeos de maneira sempre igual, ensinando do mesmo modo cada um. Os gêmeos são, para os pais uma garantia de sorte e de fortuna. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. A grande cerimônia dedicada a Ibeji acontece a 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, quando comidas como caruru, vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças, Erês portanto) são oferecidas tanto a eles como aos frequentadores do centro. SIGNIFICADO MISTICO DOS IBEJIS E DOS ERÊS : Existe comparações entre Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Antes saiba que Criança no yorubá significa Omodé. E a palavra Eré vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”. No candomblé o Erê é o intermediário entre o iniciado e o orixá. Durante o ritual de iniciação, o Erê é de suma importância pois, o Ere que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado. Ibejis: Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc. O Erê na verdade é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Erê é o responsável por muita coisa e ritos. O Erê conhece todas as preocupações do filho. CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE IBEJI: Seus filhos são pessoas com temperamento infantil, nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhonas, sorridentes, inconstantes, tudo enfim que se possa associar ao comportamento típico infantil. Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem se mostrar possessivos muito sensuais. Tem dificuldade em permanecer muito tempo sentado, depois extravasando sua energia. Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e com tendência a ser muito direto nas coisas, especialmente em termos emocionais, dividindo as pessoas que "gosta dele" ou que "não gosta dele". Isso pode fazer com que os outros que o amam muito se magoem e se decepcionem com certa facilidade. Ao mesmo tempo, suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades esportivas, sociais e das festas. Na saúde tende a alergias, anginas, problemas de nariz, raquitismo, acidentes. É a divindade que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. Sua determinação é tomar conta do bebê até a adolescência, independente do orixá que a criança carrega. Ibeji é bondoso, belo e puro em tudo o que existe;como uma criança que pode nos mostrar seu sorriso, sua alegria, sua felicidade, seu engatinhar, falar, seus olhos brilhantes. Lembre-se da criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de da linda mãe natureza, uma felicidade ao som do canto dos pássaros, ao cheiro do perfume das flores , de uma travessura e você estará vivendo ou revivendo uma lenda dessa divindade. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu em nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, ele já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos. Plantas: jasmim, maçã, alecrim, rosa Dia:domingo e segunda-feira para nações Ketu e Jeju Jexá; Cor:azul , rosa, verde, mas na verdade gosta do colorido em si. Metal: estanho. Seus elementos: fogo, ar. Elemento: Ar. Saudação: Omi Beijada ou Oni Beijada! ! Bejiróó! farami sóibeji!. Domínios: parto e infância. Amor e união. Comidas: caruru, cocada, cuscuz, frutas doces. Animais: passarinhos. Quizilas(proibições e limitações): morte e assobio. "Xangô e Iansã tiveram filhos gêmeos, os Ibejis. As crianças eram lindas e cresciam fortes para alegria e orgulho de seus pais. Houve, porém, na cidade em que viviam, uma peste avassaladora que infectava e matava crianças em poucas horas. Para desespero de Iansã, um dos gêmeos foi vitima da doença e morreu sem que ninguém pudesse fazer nada para salvá-lo. Iansã, a partir desse dia, entrou em profunda depressão, a vida já não apresentava motivos para seguir adiante. Soprou o vento que sempre trazia, para longe e já não comandava as grandes tempestades que passaram a destruir de forma implacável todas as terras. Em um de seus desvarios, arrumou um boneco de madeira e vestindo-o de maneira esmerada, colocou-o num lugar de honra em sua casa. Era o canto sagrado que ninguém podia transpor apenas ela podia ali entrar acompanhada de sua mágoa e dor. Todos os dias entregava um pequeno presente aos pés da imagem e chorava copiosamente enquanto conversava como se fosse seu pequeno filho. Olorum, ao ver tamanha tristeza, teve tanto dó da mãe sofredora, que uma lágrima pura e límpida caiu de seus olhos exatamente sobre a cabeça do boneco. A pequena gota mágica fez o menino reviver e Iansã teve seu filho de volta. Ainda hoje os Ibejis com sua alegria infantil correm pelos jardins do Orum (Paraíso), sempre observados com doçura pelo amoroso olhar materno da grande guerreira."

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